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HISTÓRIA 

A história dos Biscoutos de Jacarehy se inicia em 1899, quando o casal Amâncio e Leonor Dias 
fundam a “Fábrica Nossa Senhora da Conceição de Jacarehy” . Neta de ingleses, Leonor usava
receitas antigas de família para produzir os biscoutos, que eram feitos de forma artesanal. 

 

Curiosidade

Certas publicações em jornais divergiram algumas informações.
Na edição de 22 de janeiro de 1919 do Correio Paulistano, um comunicado com o objetivo
de esclarecer que os Biscoutos Jacarehy são genuínos, após aparição de similares no mercado,
afirma que a fábrica foi fundada em 1901.

Já no jornal carioca "A Noite" um tipo de anúncio classificado, publicado no dia 26 de março

de 1931, afirma que há 40 anos existia a produção dos biscoutos. Fazendo as contas, a época

de inauguração teria sido em 1891. Mas, nas divulgações comuns, se usava o ano “1899”

Leonor e Amâncio Dias

Recorte do jornal Correio Paulistano

  Recorte do jornal A Noite

Nos primeiros anos de fabricação, os Biscoutos eram vendidos pelos filhos do casal na Estação Ferroviária de Jacareí, onde o trem do eixo Rio - São Paulo fazia parada para a troca com outra bitola de trilhos.

Um dos passageiros e apreciador do produto foi o ator Mário Lago. Ele escreveu no livro "Bagaço de Beira-estrada" que  “a secura com que esperávamos a parada do trem em Jacareí, onde um bando de garotos vendia uns biscoitos feitos na terra, mesmo, chamados por meu pai de manjar dos deuses”.  

Estação Ferroviária de Jacareí     

Livro Bagaço de Beira-Estrada, de Mario Lago

Em 1915, Amâncio Dias falece, deixando Leonor grávida e mais 11 filhos. A partir de então, a "viúva Amâncio Dias" fica à frente dos negócios e, já no primeiro ano de sua gestão, recebe a Medalha de Ouro e Diploma de Mérito numa exposição internacional em Milão (Itália).

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Fachada da fábrica da Viúva Amâncio Dias   

Recorte do jornal xxxx sobre a medalha de outo

De 1915 a 1940, sob o comando de Leonor, a fábrica vive um momento de expansão para todo o Brasil.

A fábrica chegou a ter 100 funcionários e a fabricar 35 toneladas do produto por mês para suprir a demanda dos consumidores que, aos poucos, se estendiam por todo o território nacional. A produção incluía uma variedade de biscoitos: o “Flor de Jacareí”, sequilhos, biscoito de polvilho, biscoito palito, entre outros. O mais vendido era o “Flor de Jacareí”, um biscoito grande cujo formato lembrava uma flor, que tinha consistência “farinhenta”. Ele era levemente adocicado, e os consumidores costumavam saborear o quitute com bebidas quentes, como chá, café e leite para facilitar a mastigação e deglutição. 

Anúncio em jornal, com descrição das variedades de biscoutos 

Foto ilustrativa dos biscoutos

Recorte do Jornal de Notícias

Com o sucesso, começaram a aparecer várias fábricas com o mesmo nome.

Em 1949 o Departamento Nacional de Propriedade Industrial justificou a concessão do registro da marca “Biscoutos de Jacarhey”.

Segundo o documento, "o nome Jacareí não é conhecido como centro de fabricação de biscoitos, mas ao contrário, foram os biscoitos fabricados naquela indústria que deram à popularidade aquele nome...”.
Na mesma publicação, foi citado sobre a grande reforma pela qual a fábrica estava passando e a vinda de maquinário da Inglaterra que iria elevar a produção de 35 para 60 toneladas mensais.

Na década de 40, Leonor Dias sofreu um derrame que a deixou bastante comprometida. Para cuidar da saúde ela se afastou da direção da fábrica. Nenhum dos 12 filhos assumiu os negócios, com isso o Sr. Olavo, um familiar próximo, ficou responsável pela administração. Ela falece em 1954.

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Leonor Dias com os filhos 

Em 1952 a fábrica foi vendida para o Sr. Indalécio Villar. Na transação, foram negociados a estrutura física (inclusive maquinários) e funcionários.

Ainda na década de 1950, o Sr. Indalécio criou uma revenda dos biscoitos

em Mogi das Cruzes, na região do Alto Tietê.

Na gestão dele, os biscoitos passaram a ser vendidos, não somente na fábrica, mas também na linha de trem que percorria o trecho Rio-São Paulo, em barracas na Rodovia Presidente Dutra, sendo exportado para diversos estados e países. A fábrica também foi ampliada, passando por uma grande reforma.

Curiosidade

O Biscouto de Jacareí fez sucesso entre vários famosos brasileiros e internacionais. Muitos artistas, que vinham fazer apresentação de shows na cidade, visitavam a fábrica para provar os Biscoitos de Jacareí, dentre eles: os cantores Jair Rodrigues, Vanusa, Daniel, a dupla Tonico e Tinoco, artistas como Mazzaropi. Hebe Camargo e Silvio Santos faziam propaganda em seus programas de TV.

Diz-se, também, que o Papa João Paulo II e o Príncipe Charles também chegaram a apreciar esse quitute jacareiense.

Indalécio Villar

Fábrica dos Biscoutos "Jacareí" LTDA

Com o passar do tempo, o fim da passagem dos trens pela cidade e a modernização da indústria alimentícia, os biscoitos foram perdendo sua força comercial.  Após o falecimento de Indalécio, fábrica foi passada para seu filho Hilário, depois Régis e Indalécio assumiram.

O ano de 1999 marcou o centenário da fábrica, mas também o fechamento das portas.  Na virada do milênio a Fábrica de Biscoitos de Jacareí foi vendida e um ex-funcionário, chamado Sebastião dos Santos Nogueira, retomou a fabricação dos biscoitos. Porém, como a marca Biscoutos Jacareí ainda era de propriedade dos antigos donos, registrou a produção com o nome de “Biscoitos Santa Helena”.

Após o falecimento de Sebastião, a padaria também fechou as portas e a continuidade da tradição dos biscoutos se encerrou.

Para aqueles que viveram a época, ainda restam memórias e muitas saudades.  A história da nossa cidade está atrelada aos famosos ‘Biscoutos Jacareí’, chegando a ser apelidada de “Capital dos Biscoutos”, pois esse produto atuou diretamente na formação da identidade cultural do município e foi por um bom tempo,  a marca mais importante de Jacareí.

Recorte de matéria publicada na Revista Buzz

Curiosidade

Os biscoutos chegaram a ser comercializados em latas especiais de metal. 
Eram vendidas em bancas na Dutra e ficaram muito famosas.
Sua venda na beira de estrada foi proibida, devido ao reflexo que gerava e
que poderia causar acidentes, ao cegar os motoristas.
Por serem muito bonitas, eram muito utilizadas para presentear amigos e
familiares. Também serviam, posteriormente, como local de armazenamentos
de itens culinários e domésticos.
Hoje são guardadas e lembradas, por muitos, como um item raro. 
Às vezes, encontradas em lojas de antiguidades e vendidas, pela internet.

Lata da Fábrica de Biscoutos "Jacareí" LTDA